Jogou no lixo, vem outra e pega
- cmz

- há 3 dias
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Toda criança adora pegar objetos em casa, desmontá-los e usando toda a criatividade que ainda não foi bloqueada por ninguém, monta brinquedos ou melhora os que ele acredita que precisam de melhorias.
Esse garoto pegava de tudo. Relógios, brinquedos antigos, brinquedos novos, pedaços de madeira, palitos de sorvete, durex, fita crepe, cola rápida de contato, rodas de plástico, o que estivesse disponível ou não disponível ele pegava, quebrava, cortava, desmontava, criava, e divertia-se muito com isso.
O interessante é o ponto de vista de quem está de fora. Por exemplo, para sua mãe, ele estava destruindo tudo. Não adiantava dar brinquedo novo para ele que ele desmontava pra ver o que tinha dentro. Aos olhos do garoto, nada era destruído, apenas um processo de reconstrução e criação sem limites.
Na sua escola ele já era conhecido pelos desenhos que fazia, pelos objetos incríveis que levava para brincar e mostrar para os amigos. Todos gostavam e tentavam da sua maneira imitá-lo ou fazer algo diferente com os brinquedos que tinham em suas casas.
As criações começavam a ser incrementadas a partir do momento que pilhas e motores começavam a ser descobertos. Brincar no escuro com avião de plástico com luz à procura de aranhas escondidas na parede, bombardear castelos de playmobil e por fim, adicionar um motor com hélice no avião, tornando a brincadeira ainda mais excitante. Naquela época, nada disso existia. Nenhum brinquedo era interativo dessa maneira. Então, a solução era criar.
Certa vez, com a mistura de pilhas grandes enroladas com fita e na extremidade de todas elas um motor de barbeador com uma hélice que ganhava com um pirulito, ele criou um ventilador portátil para os dias de calor. Aquilo foi o Maximo! Admirado com a criação, decide levá-lo no próximo dia de aula. Seus amigos adoraram e todos queriam ver de perto tal brinquedo.
Na confusão de uma aula, crianças andando por todo canto e fazendo aquela algazarra toda, a professora coordenadora entra na sala para dar um recado e percebe que a situação estava fora de controle; aos seus olhos; e começa a gritar e colocar todas as crianças em suas carteiras. A ordem estava sendo reestabelecida.
Ao perceber que a professora coordenadora, grau máximo na escola e de admiração e respeito aos olhos de uma criança, o garoto todo empolgado com sua criação, resolve mostrar para aquela suposta pessoa de respeito a sua mais nova idéia.
“Professora! Professora! Olha o que eu fiz!” Sorri o garoto.
A professora pega aquele monte de pilhas presas com fita e simplesmente joga tudo no lixo sem ao menos ligar o motor, vira a cara e continua a gritar com todo mundo.
Seus amigos que estão por perto olham aquilo aterrorizado e correm para suas carteiras com medo do que poderia vir a acontecer depois daquilo.
O garoto olha pra professora, olha para o lixo, simplesmente pega a sua criação entre papéis amassados e embalagens de sorvete e vai se sentar.
Aquilo pode ter sido o fim da criatividade ilimitada que estava sendo despertada nos seus amigos. Muitos deles hoje poderiam ser pessoas diferentes, em cada área que eles estejam trabalhando. Poderiam arriscar mais, viver mais, ser mais feliz com o que fazem. Poderiam ter mudado o mundo com pequenas mudanças que eles pudessem ser capazes de criar.
Como também pode ter sido um grande aprendizado para todos. O de esperar a hora certa para mostrar algo para alguém, independente de quem seja. De que quando as pessoas estão bravas, não adianta querer mostrar ou falar algo. Espere o momento ideal para isso. Ou mesmo quando for o cenário ideal, e alguém jogar fora sua idéia, simplesmente faça como o avô dele uma vez falou:
“jogou no lixo, vem outra e pega.”
Talvez ele tenha tido uma professora dessas em seu currículo...
Cassiano Zanetti
Esse texto não é "IA"


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